quarta-feira, 11 de maio de 2011

Chão de fábrica.



A mente era uma máquina de produção em série. Produzia pensamentos na velocidade da luz. Passeava por lugares, abraçava pessoas, gritava com algumas, chorava com outras. Era poeta, professor, chefe, escravo, algoz. Era tudo e nada.  Podia ganhar do céu  um crédito de um milhão. Mas o que fazer com tudo isso? Ajudar a vó, as tias. Comprar um sítio pra mãe. Internar a irmã....como? O pensamento ria de si mesmo. Não. Amá-la já era suficiente.
E se fosse dono da empresa, e se pudesse sair mais cedo? Compraria um carro novo, mas não venderia o velho (relação de amor e histórias). Precisava de roupas novas. A calça jeans estava muito surrada. Umas camisas talvez. E se mudasse o jeito de vestir? E se fosse mais leve? Quem sabe uma tatuagem? Nada extravagante. Uma rosa pequena no antebraço. Não. Muito feminino. Uma insígnia? Que nada. Melhor esquecer, lembrou do pânico que tinha das agulhas. Recalculou os próprios movimentos, saiu de si e olhou-se bem, como um psicólogo que deve fazer uma análise  um pouco mais que apenas comportamental. Era feio, estava velho, um pouco fora de forma, poucas perspectivas, algumas frustrações, inúmeras perguntas, nenhuma resposta. Após empacotar cada pensamento na maneira padrão concluiu com a etiqueta: Sou louco, graças a Deus!

Nenhum comentário:

Postar um comentário