quarta-feira, 4 de maio de 2011

Limpando a casa

Abandonar sonhos, esquecer as frases de amor sussurradas ao som do vento, enterrar o velho baú das ilusões e abandonar esse jeito adolescente de achar que sempre haverá final feliz. Minha cabeça de mulher madura dói a três dias .. meu tolo coração é apenas um órgão emperrado em um tempo que se perdeu.

Tantos sóis já se passaram e a minha dor se torna cada dia mais jovem. Eu só queria um quarto escuro onde pudesse trancá-la até que morresse de inanição. Por que aqui fora é sua existência que lhe dá refeições diárias. Ou será que sou eu que permito essa dieta infernal? Ah.. como eu gostaria que você morresse, ao menos que deixasse de viver dentro de mim...Por que enquanto tomo minhas doses habituais de morfina os programas políticos são os mesmos, os times ganham e perdem, o sol se põe e nasce outra vez e você continua seguindo. "Eu" mulher balzaquiana aplaude e vibra, mas "eu" coração senta e chora. E ainda um terceiro "eu" te odeia como jamais odiou alguém. Ah..! Quantas mulheres habitam nessa carcaça? Não sei. Mas em todas ficou o sabor da sua passagem. Um sabor amargo e suave ao mesmo tempo. Agora a essas alturas do campeonato tomo uma decisão estranha, por fim a essa Síndrome de Estocolmo... mesmo que a névoa dessa manhã não me permita a clareza de entender quem é refém de quem....O fato é que gestar novos sonhos requer útero vazio...e abortar os sonhos antigos é dolorido, mesmo sabendo que já estão mortos.

Sandra Freitas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário