quarta-feira, 4 de maio de 2011

Parto

Tenho um poema
Atravessado nas víceras.
Não me deixa dormir
Não me deixa comer
Eu falo sozinha
embriagada sem razão.
Não sei qual o seu gosto
Não sei qual o seu rosto
Sei que dói o corpo inteiro
Sinto as dores de parto
as contrações,
dilatações.

Quer nascer
mas tem medo
Se agarra dentro de mim,
minando todas as forças.
Renego o anestésico,
quero senti-lo saindo,
forte e viril.
Me agarro aos cabelos
com desespero,
e o suor gelado escorre entre os dedos.
Vem meu infante!
A vida te espera!
Gérmen do amor,
do amor da mãe consigo mesma,
da cópula do papel com o coração
é aviltante te sentir por dentro
E não poder te ter nas minhas mãos.

Sandra Freitas

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