quarta-feira, 4 de maio de 2011

Verborréia

Quero me livrar
do cheiro do seu suor impregnado no meu nariz.
Dos anéis dos seus cabelos que ainda passam por entre os meus dedos.
Tocar as marcas em minha pele e não mais sentir dor.
Exorcizar sua alma das minhas vísceras
Pegue o que é seu e siga teu caminho.
Quero abandonar de mim esse olhar pequeno
sedutor,
que me pede amor ao meio dia
e suspiros a meia noite.
Cortar esse cordão umbilical que ainda nos une.
Por ele te dei a vida dentro de mim, numa gestação dolorida, interminável.
Já não suporto te carregar, teu peso pressiona meus ossos.

Esses seios que te amamentaram
que te deram o colostro vital,
que te fizeram sonhar e aqueceram teu inverno, ainda sentirão
tua falta por um tempo..
Ainda sentirão a ausência da relação materna que criamos.
da sua boca a me implorar afetos, a me rogar desejos..

Mas o que é o tempo?
Diga-me Cronos?
Quanto ainda chorarei?
Por quanto tempo ainda
sentirei os movimentos desse membro amputado?
Por quanto tempo procurarei desesperada por teu cheiro de vinho,
como louca no auge da abstinência.
Diga a Horácio que o futuro sempre volta com o presente travestido de passado.
Onde escondeste o ilusório Carpe Diem de outrora?

Hoje,
és meu vício, minha doença acalentada, minha chaga preferida
meu doce parasita.
Se vives morro em pequenas doses. Se morres, ainda há esperança.
Em nome da vida que ainda posso parir, estou te expulsando da minha alma.
Ainda que a morte me ronde por um tempo,
Ainda que dentro de mim eu tenha apenas que manter teu túmulo, sobre qual colocarei uma rosa vermelha e seu epitáfio:
Podia ter amado, podia ter sido mais feliz...

Sandra Freitas

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