terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Olfato

Olhar em outra direção, vestir de sorrisos enquanto a alma sente o cheiro da vida. E é um cheiro de arroz novinho com a tampa da panela pingando vapor, gosto de alho, de casa, de família. Uma xícara de café, lembranças. Um olhar pela janela, ar, puro ar. Distante a solidão passeia faceira, me pede pousada, enquanto a  lua altaneira ilumina a roupagem em frangalhos. No reflexo luminoso do olhar punctório sua imagem sorri,  num cruel destilar vingativo. Devolvo o sorriso, mais um gole de café, uma tragada no ar,  e nossos olhares se rendem a urgência da entrega, da dança da cópula, da fertilidade, da mescla das retinas. Enfim despertamos e a vida prossegue plantando cheiros...

Sandra Freitas

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