terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Tomates verdes e fritos"



Após intensas estaçoes, outonos, invernos, verões, finalmente hei de colher as flores primaveris. Estação derradeira da vida. Sinto o balanço da cadeira e seu chorar renitente, rixosa canção de ninar. Vai e vem, vem e vai, enquanto o vento sorrateiramente acaricia em volúpia meus fios brancos. Vestidos de filós me saem da mente, descortinando meus enganos, lenços acetinados despem meus pensamentos, ainda sei sentir coisas indecorosas. Os retalhos coloridos cintilam sob a fresta de luz do sol, pedaços de mim-ontem serzidos com linha dourada, cobertor- vida que aquece meus pés cançados. Entre minhas mãos, minhas páginas favoritas, amareladas, emolduradas por alguns furinhos de traça, mas recheadas de emoções esquecidas.  Meus olhos percorrem a verdade por trás das linhas, uma que só eu conheço e que carrego até o fim da primavera. Meus dedos dizem adeus, sem tristeza, medo ou hesitação. Um adeus  natural, uma sensação de dever de cumprido. Oxalá o futuro me reserve uma cadeira de balanço.

Sandra Freitas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário