quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tempo, mano velho...

Eu já odiei. Odiei sim. E normalmente eu costumo odiar quem já amei muito. Mas é um ódio que desgruda com o tempo, que vai embora com os minutos e leva seu gosto amargo. Por que não nasci pra odiar ninguém eternamente, eu sou feita de vida, de alegria, tenho DNA de um Deus que na sua essência é puro amor. Então o que faço? Não evito, não fujo do que sinto, tento me conter apenas nas ações advindas... desse sentimento, caso contrário, saio matando as pessoas....rsrsr. Então eu odeio muito, xingo, choro, corto as fotos, corto os pulsos,deleto tudo, e durmo até o gosto de fel sair.

Mas pra mim, odiar ainda é um sentimento nobre perto da indiferença. Nada no mundo me dói mais que a indiferença. Ela é como uma faca de dois gumes bem afiada, de uma lado, o silêncio, do outro o desprezo. Assim, corta sem anestesia, desce sangrando sua vítima, sem dó nem piedade. A indiferença é pior do que o ódio, por que constrói um muro de impiedade no coração. E quando eu menos esperava, ela entrou pela minha porta, a misericórdia e o perdão saltaram pela janela. Entrou prenha e pariu um sentimento estranho nas vísceras da minha alma. Ele grita, chora, esperneia, e me consome. Eu não me rendo. O tempo bate na porta, mas a cria é pesada demais pra que ele carregue...por enquanto...

Sandra Freitas

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