segunda-feira, 9 de julho de 2012

Coragem



"Nada em mim foi covarde, nem as desistencias. Desistir, ainda que nao pareça, foi meu grande gesto de coragem".

Caio F. Abreu.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tempo, mano velho...

Eu já odiei. Odiei sim. E normalmente eu costumo odiar quem já amei muito. Mas é um ódio que desgruda com o tempo, que vai embora com os minutos e leva seu gosto amargo. Por que não nasci pra odiar ninguém eternamente, eu sou feita de vida, de alegria, tenho DNA de um Deus que na sua essência é puro amor. Então o que faço? Não evito, não fujo do que sinto, tento me conter apenas nas ações advindas... desse sentimento, caso contrário, saio matando as pessoas....rsrsr. Então eu odeio muito, xingo, choro, corto as fotos, corto os pulsos,deleto tudo, e durmo até o gosto de fel sair.

Mas pra mim, odiar ainda é um sentimento nobre perto da indiferença. Nada no mundo me dói mais que a indiferença. Ela é como uma faca de dois gumes bem afiada, de uma lado, o silêncio, do outro o desprezo. Assim, corta sem anestesia, desce sangrando sua vítima, sem dó nem piedade. A indiferença é pior do que o ódio, por que constrói um muro de impiedade no coração. E quando eu menos esperava, ela entrou pela minha porta, a misericórdia e o perdão saltaram pela janela. Entrou prenha e pariu um sentimento estranho nas vísceras da minha alma. Ele grita, chora, esperneia, e me consome. Eu não me rendo. O tempo bate na porta, mas a cria é pesada demais pra que ele carregue...por enquanto...

Sandra Freitas

terça-feira, 3 de julho de 2012

Sentença




Logo eu, que não sei guardar segredo, devo seguir silente os rumos indesejáveis da vida, como se fosse um túmulo. Não. Melhor. Um baú. Um baú de boas lembranças e surpresas do passado. Devo seguir sem pestanejar, gritar, esperniar.  Logo eu, que empunhei as armas, as garras, vesti a farda e briguei, sangrei, matei. Agora resta esta  paz, "pomba lesa" da paz. A paz de deixar o rio seguir seu curso. Mas já sabíamos; o destino do rio é o mar. Façamos um trato, um dique, uma barragem, estanquemos essas águas por um tempo, um não, dois tempos, três talvez. Ilusão. O rio segue seu curso. A vida toma seu lugar. E eu que sou cheia de excessos, que carrego turbilhão de dores e afins, devo seguir contida. Mas prometo não chorar. Cabeça erguida. Fiz o que não pude; fui eu mesma e pra isso não tem perdão. E minha punição é observar o curso das águas, de longe, bem longe, enquanto aqui dentro, o caminho é inverso, o mar devasta os meus rios.
Sandra Freitas.