quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Atado a Vide

Não sei se você irá me entender, também não precisa, vou sobreviver a isso também. Na minha caminhada com Deus, tive momentos de tropeços, momentos nos quais eu quis me afastar só pra realizar minhas vontades mais profundas, meus desejos secretos. Eu só me esqueci de um detalhe, havia uma corda que prendia meu pescoço ao coração Dele. Como assim? Seu Deus te prende com uma corda no pescoço? Isso mesmo. Tenho uma cerviz dura, sou muito difícil, complicada, como as éguas de faraó mesmo, fortes em transgredir, obstinadas. O fato é que Ele jamais me impediu de  afastar e eu descobri, da maneira mais difícil, que o tamanho da corda é a distância entre ELE e a morte. Então antes que meus pés tocassem o ar escuro e frio do abismo, fui puxada com muita força. Isso mesmo, um único puxão, daqueles que parecem  tirar todos os ossos da coluna do lugar, que certamente quebrou alguns ossos do meu pescoço e me fez cair naquelas mãos tão conhecidas e desdenhadas, mãos vazadas por mim. Era como se gritasse; Eu te amo! e não posso te perder agora! Eu não entendi. Briguei, chorei, esperneei e ainda sinto alguma dor restante daquele dia, mas não tanto. Ainda choro um pouquinho, mas é bem menos (afinal, a medida que crescemos vamos entendendo mais sobre essa coisa alienígena chamada Amor. Digo alienígena por que não é da mesma matéria que nós (barro), não é desse planeta, não é terreno). E se não fosse assim, eu iria até o fim, até a morte, e ainda levaria outras pessoas comigo, sim, por que inevitavelmente quando nos afastamos outros tomam a mesma atitude. E qual Pai vai assistir passivamente a morte do seu filho se o pode evitar? Qual esposo vai permitir que sua amada seja seduzida por outros  homens sem tomar qualquer atitude? Na ausência do amor a corda é ilimitada. Mas na vigência perene do  Amor são necessárias medidas extremas só compreendidas com  a maturidade. Portando cuide bem dos passos, verifique a temperatura do seu coração, e não se assuste se for surpreendido por uma força descomunal capaz de quebrar-lhe os ossos, se acaso ocorrer, seja bem vindo, isso é Amor.
 
"Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas. Gênesis 49:11"
 
 
Sandra Freitas.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Eu amo cachorros...

Sou veterinário, e fui chamado para examinar um cachorro de raça.
Os proprietários do animal eram todos muito ligados ao cachorro e esperavam por um milagre. Examinei o cachorro e descobri que ele estava morrendo de câncer.
Eu disse à família que não haveria milagre, e que o melhor era fazê-lo morrer suavemente, para que não continuasse sofrendo, e me ofereci a voltar no dia seguinte e aplicar-lhe uma injeção, procedimento muito comum para evitar o sofrimento do animal.
No dia seguinte, enquanto fazíamos os preparativos, os pais me contaram que estavam pensando se seria bom deixar que o filho mais novo, de quatro anos de idade, observasse o procedimento. Eles achavam que poderia aprender algo com esta experiência.
A família rodeou o cachorro. O menino, parecia tão calmo, acariciando o velho cão pela última vez, que eu fiquei pensando se ele entendia o que estava se passando.
Dentro de poucos minutos, o cachorro morreu, pacificamente. O garotinho parecia aceitar a transição do cachorro, sem dificuldade ou confusão.
Depois nos sentamos juntos, um pouco após a morte de cachorro, pensando alto sobre o triste fato da vida dos animais ser mais curta que a dos seres humanos.
O menino, que tinha estado escutando silenciosamente, disse:
- Eu sei por quê.
Admirados, nos voltamos para ele. O que saiu de sua boca, me assombrou. Eu nunca ouvira uma explicação mais reconfortante.

Ele disse:
- As pessoas nascem e devem aprender a ter uma boa vida, a amar todo mundo, o tempo todo, independente de qualquer coisa…


E continuou
- Os cachorros já nascem sabendo como fazer isto, portanto não precisam ficar tanto tempo.
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Gratidão eterna...

Eu te agradeço pela aspereza das palavras
pela indiferença silenciosamente gritante,
pelo fel impiedoso destilado em cada olhar.
Te agradeço pela porta fechada
pelas  janelas gradeadas,
por teres rasgado cada linha, sufocando cada poema.
Pelo gelo e pelo fogo que tornaram em cinzas
todos os (in) finitos círculos.
Te agradeço pelo não, que engravidou do sim
e me trouxe tantos e tantos dias felizes e sublimes.
pela inércia que agitou o que eu não enxergava,
me dando de presente o presente, sem laços, sem fitas, sem nada.

Obrigada meu querido, obrigada meu amor
distinto, suave e esquecível amor.


Sandra Freitas